sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

I'm on the highway to hell...And I've been workin' like a dog. It's been a hard day's night. I should be sleepin' like a log.

O silêncio deu um grito.
O princípio da rachadura vêm de abalos císmicos anteriores e interiores.
Surgiu um rio de fogo que descamba na embriagues de não querer polemizar o que não tem solução.
Mais uma vez a contradição dá voz ao traidor.
Outras razões viram sombras de algo ausente porém palpável.
As semelhanças assustam, pois estão longe do desejo de viver, para quem sabe um dia, o ser. Idéia assustadora...
A ausência sempre nos leva à uma busca do que queremos encontrar, mesmo que usemos de artifícios para não murchar, para não desistir.
O óbvio e cotidiano é a música, mesmo que as redondezas sejam o inferno. Ó mantra!
Sempre vai tocar algo que apazigue minha trizteza e revolta.
-alcalinos pros meios ácidos-
Nem tentar, nem pensar, nem respirar sobre...pois dói.
Lá continua tudo igual, a mesma despretenção de nada dizer, os mesmos assuntos corriqueiros, o alívio descendo gelado, às vezes nem tanto.
Evitar o confronto é o novo conforto.
Obrigada "pai"





Yeah I'm going down anyway

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

no more yada yada

Quanto maior a teia de julgamentos, mais fácil fica se enrolar nela.
Sem paciência pra vitrine das vaidades, das mais fúteis às mais intelectuais...
O que sobra? Excesso de disputa para pouca troca, muitas idéias pré-concebidas sendo repetidas, engajamento de fim de semana, pra encontrar a galera.
Não sei o que mudar, como começar, pois quanto mais vejo quanto esforço é necessário para se adaptar, mais penso em me guardar e nada mais precisar argumentar.
Seu eu algum dia eu me transformar em letras, meu sonho será, virar um abraço...
Um gesto vale bem mais.

domingo, 21 de agosto de 2011

Limites co-criativos

Liberdade intelectual ou criativa é a essência da arte, por mais íntima e pessoal que possa ser.
O bloqueio que tenho reside na falta de respeito alheio, na mania das pessoas pegarem um conceito desenvolvido por alguém e tomá-lo para si, de forma superficial, transformando-o numa casca oca.
Um conceito pode ser discutido, desconstruído, alterado, de um jeito que, de alguma forma, revolucione uma história ou um pensamento, um suspiro ou uma sensação.
A idéia solta pode mostrar o teor do conceito, mas após a fixação desse conceito com base nessa idéia, deixar que outros a mudem, à sua revelia, é deixar que mutilem a criação parida.
A sensação é a de uma mãe, que após aguardar nove meses, sentir as dores do parto, se esforçar e relaxar, tem a notícia de que, como o médico não conseguiu tirar o bebê inteiro, resolveu trazer ao mundo apenas a cabeça...
A simples imagem de uma cabeça solta me dá arrepios, embrulho, não por uma cabeça solta ser tão desagradável, mas por não ser essa a idéia inicial, a que foi concebida!
Quem decide o que é importante ou não? É justo pegar algo próprio de alguém e alterar de forma tão leviana?
Não sei lidar com a ânsia de quem quer criar à partir das minhas entranhas. Não acho justo ceder a alguém que deseja apenas uma realização egoísta, que busca o gozo próprio através do esforço alheio, sem qualquer parceria ou respeito...
Quando morrer não quero que ninguém compre ou receba meus direitos.
Quero plantar sementes soltas, em lugares de ninguém, mesmo sem a certeza de que vingarão.
Preciso passar o que se passa, o momento, sem definir a linguagem ou argumentação.
O que digo ou o que mostro, coisas que vem a mim da mesma forma que se vão, sou eu e é assim que pretendo ser, parte de tudo, sem qualquer filiação ou compromisso com nada nem ninguém.
O fato do que transmito não ser rotulado não da o direito de ninguém fazê-lo.
Uma frase que não tem pontuação, não abre espaço para alguém que quer simplesmente pontuá-la, pois pode ter sido feita para ser completa posteriormente, à partir de reflexões, não através de pontuações que definem sentido pessoal ao que pode não ter.
Sigo tentando não me aborrecer, com o comodismo de quem não quer criar da massa bruta, mas apenas enfeitar o pré-moldado alheio, para chamar de seu...
Mas se o aborrecimento explodir, que seja em forma de ação, para que ninguém mais possa se apossar de parte do que eu digo mas não chego a concluir.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desculpe ser assim

Eu sinto muito
em excesso, de forma desmedida
sem pudor, sem querer, sem dizer
Dói no tórax uma ansiedade e ao mesmo tempo uma angústia de não ter medo de tentar
Queima mais o pavor de ser mal compreendida
E se a falta de caminhos fosse o problema a solução já teria sido imposta pela vida
O excesso de vontades e possibilidades que me amarram à necessidade de ser feliz
Preciso realizar coisas que transmitam algo, que transbordem tudo que implode em mim e não floresce por falta de luz do sol, por abulia
Fica tudo aqui guardado, inútil e cada vez mais improvável.
Temo não suportar novamente ser podada, tolida, a ponto de perder toda sensibilidade, a criatividade, para "sobreviver".
Não sei mais viver só de arroz, feijão e pão.
Minha sede me marginaliza, me traz um meio de viver numa utopia
Sem de forma alguma depreciar nada, nem me julgar maior, penso que não fui feita para este lugar
Me adapto, me refaço tentando não esmoecer na frustração de concluir que...
Talvez todo o horror não consista em morrer em busca de plenitude.
Talvez a morte seja viver de frustração, catando os restos jogados por quem controla sua rotina
A cada ano que passa, eu existo um pouco menos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O alcoólatra que reside a vinícola

Fantasmas no meu armário que me fazem perder o grito
Grito surdo dos meus pesadelos de sempre
Melhor não dormir, mas devo admitir...ainda temo
Tudo e qualquer coisa que esteja por vir
Boa ou ruim
A única certeza, é a de que algo se perderá
Cada perda se torna mais valiosa à medida que o tempo a afasta
A perspectiva deveria fazer o inverso
Ou talvez a insistência nisso tudo seja o problema 
Por ânsia de futuro
Sempre avançando vinte passos
Por nostalgia e saudade do que eu era
Continuar, retornando dezenove
Entre uns passos e outros tropeços
Pulando de abismos
Jogada em certas paredes
e sempre, me chocando com o cenário

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Documentando roteiro de um não-filme já visto

É uma época fria para uma piscina de rostos completamente rasa.
É uma guerra ensandecida, com tiros disparados por megalomaníacos, que supõem conhecer toda a verdade de tudo o que tocam e afirmam.
Uma geração inteira onde a falsa rebeldia adolescente dura mais que vinte anos. Neverland tá longe de conseguir comportar esses projetos de pensadores, que só sabem reproduzir de boca cheia o que ouvem de alguém interessante por aí.
Reproduzem filosofia alheia sem nada absorver, projetam uma sombra maior que o próprio limite, se lançando porque precisam ser percebidos, almejam ser notados como produtos de sucesso.
Carência afetiva, solidão, soberba, falta de empatia ou qualquer coisa que nem Freud explicaria...
Dentro de todos os significados delineados por gestos cuidadosamente estudados e laços friamente calculados, pasmo observando o quanto rodas giram em torno de sorrisos cegos e gritos mudos.
Será este o fim de todo o tato? 
Pelo visto, bom mesmo é toda e qualquer educação sendo deixada de lado, exceto, na hora da escalada social, onde o ego aguarda ansiosamente o próximo prato.
Reações não podem ser racionalizadas, nem abraços tão racionados.
À medida que as coisas surgem à volta deste caos de informações desencontradas, a concepção do que é verdade vai se dissolvendo num mar de inutilidades práticas.
Não existe luta ou resistência. Não há escapatória, apenas sobrevivência.
Será este o real pesadelo?
O estômago contrai e os músculos enrijecem suplicando um pouco de doçura, troca e calor humano.
Não percebem que toda disputa terminará em perda de tempo.
Se não há nada a aprender, também não há nada a ganhar.
Tanta atuação, para no fim das contas perceberem que a câmera estava o tempo todo desligada.
TRISTE
FIM

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Reflexão pós-síndrome Quixotiana II - Extremos afiados e obtusos "Com todo respeito"

“Com todo respeito” 
É o prefixo  infeliz de toda sentença que seguirá com algo, provavelmente, bem vulgar e desnecessário.
“Com todo respeito” 
É uma máscara de redenção, pra todo o lixo vocabular proferido, inclusive o que segue abaixo.
Sim, são desculpas que precedem o texto. Ninguém é obrigado a ler este estopim de insubmissão aguda, recheado com alguns termos de baixo calão. 
Em excessão, o texto não contém meias-palavras. O objetivo é qualquer um, menos o de calar ou paliar algo que foi visto e vivido, centenas de vezes, por centenas de pessoas que já se sentiram constrangidas ou reprimidas. 
“Com todo respeito”, no início de uma frase tem um grande poder pra quem diz. Primeiro porque dá a impressão de ser algo que não tem a menor intenção de ofender, mesmo que seja algo vulgar, torpe ou invasivo. Segundo porque praticamente te impede de responder o bom e velho “COM TODO RESPEITO VÁ À MERDA”, principalmente em ambientes públicos.
O “com todo respeito” obriga o(a) interlocutor(a), a levar algo na brincadeira, é a "licença" das convenções sociais.  
Por que isso? Porque qualquer minoria, ou maioria discriminada, precisa engolir alguns preconceitos ou pilhérias. Por que ser insultado de qualquer coisa é melhor do que ser chamado de RADICAL e ser excluído por mais este motivo. 
Isso poderia ser comparado a um estrupro psicológico, onde o importante é que, mesmo que esteja se sentindo invadido, seja necessário permanecer calado, em nome da tal liberdade de expressão do próximo, que em muitos casos, é usada para afrontar o primeiro impunemente.
Mas e a liberdade de expressão, de quem não está de acordo com o (pouco) respeito que lhe foi oferecido? Não deve então haver denúncia, em nome da liberdade do autor da injúria? Se fosse este o caso não haveriam tantos processos por danos morais.
Gosto de tocar neste assunto tratando de questões sociais, que podem ter relação com gênero, cor, religião, sexualidade, padrão estético e etc, porém tratar de todas essas questões, seria quase escrever uma tese e não é esse o objetivo(ainda). Com o tempo talvez eu consiga expor o que penso, da mesma forma, com relação à todos os casos citados no início deste parágrafo.
Como um pequeno exemplo, cito desta vez o caso das mulheres, sem o menor medo de ser acusada de feminista.
Sexo feminino, GERALMENTE, criado com bonecas de bebês, assistindo a clássicos sobre princesas, que vivem escovando os cabelos e se enfeitando, fazendo tortas, cantando e aguardando o príncipe -ou seja, o casamento- para que elas possam procriar e dar continuidade à espécie. Se a mensagem subliminar da criação machista é novidade para alguém, basta tentar olhar para o passado com um pouco mais de atenção.
Isso não quer dizer que são todos pais sádicos e facistas, ou que a mulher não deva gostar de nenhuma das ações acima descritas. O contra-senso não está em nenhum dos atos citados. O perigo vive silencioso, na criação da mulher como objeto ou meio de perpetuação da espécie acima de qualquer interesse pessoal dela mesma. O absurdo está na submissão histórica, cultural e religiosa, que muitas vivem até hoje. Não podemos ignorar que foi, só através de movimentos radicais, que pudemos ser ouvidas, balanceando um pouco a desigualdade abissal no respeito oferecido, entre dois grupos de diferentes gêneros. 
Por que devemos nos calar e ter calma, enquanto há tanta brutalidade nos arrombando os olhos e ouvidos, todas as vezes que saímos de casa? O peso das palavras vai muito além do tão utilizado e batido palavrão. Ofensa é a entonação com que ouvimos um pseudo-elogio como se fossemos um peças penduradas no açougue. Vocabulário patético é aquele dos diálogos onde chovem os “tá ligado, gata?” que nos entornam goela abaixo, como se fossem vírgulas.
Vivemos em uma sociedade materialista, carnal, consumista, machista, que nos obriga a andar dentro da cerca como ovelhas acuadas por lobos.  
O sexo masculino, GERALMENTE imbuído de preconceitos já na infância, tendo que crescer e viver baseado nas cobranças e responsabilidades arbitrariamente impostas a eles. Sofrendo a pressão de ter que corresponder ao comportamento esperado e o único bem visto, para ser aceito pela sociedade em que vive.
O caminho permanece o mesmo. O mesmo trajeto, para cumprir com a maldita rotina, onde ninguém grita, ninguém se rebela. 
Tentamos conviver com a vontade inquietante de romper com tudo e todos os paradigmas, com um impulso de replicar cada pequena menção, de uma possível ofensa, depois de passar por tanto tempo, calados...
Ouvimos tanta coisa que não vale a pena responder. Pela falta de confronto as pessoas continuam pensando que vale a pena nos dizer bobagens. São tantas mentes torpes e limitadas, tantas vidas galgadas em mentiras e atuações.
Implodir costuma ser o vício de quem foi ensinado à se conter.
Oprimir através dos pais, da religião, do senso comum...diariamente cercados por muros aparentemente intransponíveis. O que fazer?  
Quem define a moral e os bons costumes? As mesmas lideranças mundiais que ainda permitem mulheres de outras culturas sejam mutiladas à força na infância? As mesmas pessoas que definiram que o sobrenome do pai é o último, que é o que fica e perpetua o nome da familia?
Entre a cruz e a espada, repudio esta imposição de posições e posturas corretas para cada gênero. Entendo por liberdade, a capacidade de ter a visão ampla e panorâmica do mundo, de enxergar igual as particularidades, de cada ser diferente e agindo de acordo com esta percepção. É preciso mais respeito com o espaço alheio, precisamos de lideranças que entendam que não somos todos iguais, mas que devemos ser julgados de forma imparcial.
Às vezes é necessário que haja um posicionamento bem definido, ainda que racional, sem que haja nenhum medo de ser imoral, diante dos olhos e grilhões das mentes puritanas.
Se isso parece de alguma forma radical, sugiro um estudo sobre a história do mundial, sobre os maiores ditadores do planeta. Um assunto sempre atual, já que vivemos num mundo onde algumas palavras de maiorias reprimidas, ainda são abafadas por aqueles que se dizem livres para governar sua própria cultura, em nome da liberdade de expressão(quando eles impelem qualquer intervenção externa), mas que eles não dão aos seus cidadãos. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Reflexão pós-síndrome Quixotiana I - memoveventocomovelento

Um "se" pra dez "serás"...
De volta em volta, vão ao meio
no eixo do finito circular eterno
da meia-lua, ao vértice perfeito
que não corro contra nem atrás
pois se brigo, canso do manso batido
do vento deixando mover e levar
da água levando a girar
de mais uma volta pra me pendurar
pra tentar mais uma vez
do alto da embriaguez
ver um ponto de sensatez
no horizonte ambulante
inconstante e inquietante
que também há de perecer
que tem pressa de se retirar
 pra recomeçar e renovar
ou pra passar os dias
no balanço distraído e descontraído
de quem não quer descer
nem parar de comtemplar
o atraso que sempre se antecipa ao moinho
e o tempo da volta sem hora
do trabalho sem peso
e da natureza mecanica natural
do movivento sem compromisso
rumo ao contentamento
que segue suave e macio
e que longe de ser estático
está sempre à frente
quem sabe até num sentido
que dependendo da velocidade
pode se tornar elíptico...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Frénésie



Congele-me
Faça isso explodir e derreter
Não pare
Por favor
Dança
Hipnotiza
Atrai
Envolve
Faça arder, doa a quem doer
Não se deixe controlar, abater
Mude de cor
Mude de pele
Force
Deixe tudo destruído
Tome conta
Com todo o tato
Cuide, cuidado



Imagem de: Paul Verlaine

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Avance de ré

Me perguntam o que sou.
A primeira resposta sai como um arfar cansado,
hesitando pelo que seguirá a resposta,
caso eu tenha que escolher um só lado.

Me afirmam o que são.
Primeiramente observo numa panorâmica que se aproxima lentamente.
De forma que quando vejo o olhar, já não creio no que diz ser.
Perco o interesse e volto o olhar para mim perguntando:
-E hoje, qual das minhas quero ser?!

Se precisasse decidir, me diria turista,
mas o que sobra em estranhamento deste lugar,
falta em desapego de onde eu queria estar.

Me disseram que o tempo dirá o que sou...
O tempo, como bom político que é,
Sempre vem com as mesmas promessas,
de que o futuro sempre tem as respostas.
Passando a bola e lavando as mãos...
O problema é que quando o futuro chega, vira presente.
O presente, nunca lembra o que o futuro iria mostrar.


Então nada mais tenho a dizer...
já que as respostas estão guardadas com o futuro...
este faz questão de se manter inalcansável.
Me contento com este nostálgico presente.
Máquina do tempo quebrada...
que só anda de ré...
em circuito fechado...
alta velocidade...

Vou lhe arguir sobre quem és.
Não me responda que o tempo dirá.
Já não creio nessas besteiras atemporais.
Só guardo o que vejo e o que sinto.
Todo o resto é perecível.
Bons tempos que não voltam mais...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ensaio II : Consciência como opção

O ego alheio é a única arma párea para o próprio ego.
Partindo deste princípio dá para perceber o quanto a dor é e não é humana.
A capacidade dela nos tornar animais -às vezes da forma mais primitiva- ou de fazer com que nos tornemos dóceis e afetuosos, é algo extremamente assustador.
Quantas vezes já ouvi pessoas abrindo a boca, para deixa escorregar o famoso clichê : "sou legal enquanto não pisam nos meus calos" ou aquele que diz: "Isso que passei mudou minha vida, virei uma pessoa melhor"...
Em suma, somos todos meros espelhos, sempre refletindo uma ação alheia, só há movimento proveniente de reações (externas) e não de reflexões(internas).
A terapia se torna mais um subterfúgio para culpar nossa criação por nossos erros. A culpa alheia é algo que alivia a própria consciência.
Lavamos as mãos após ler o jornal. Alguns desistiram e preferem nem se sujar.
Quanto mais tempo passa mais imundo fica este mundo que insistimos em chamar de lar.
Desculpas articuladas, criadas para manter no mesmo curso a nossa insólita e cada vez mais difícil rotina, são consequências da dificuldade de admitir, o quanto somos fracos por nosso egoísmo.
Como falhamos, quando o exercício da honestidade começa a ser algo intrínseco.
Honestidade não é qualidade, não é passível de recompensas, parabéns ou medalhas. Ela simplesmente é mais pesada quando ausente e infinitamente leve quando onipresente.
É desenvolvida, ou não.
Usada, ou não.
Aproveitada, ou não.
Criticada, ou não.
Ignorada, não.
É uma simples posse, quase um objeto, um acessório ou um artigo de luxo.
Se na teoria errar é humano. O humano seria um erro?
Me pergunto qual a margem de lucro, o custo benefício....mas evito especular. Tenho medo de ofertas tentadoras.
Quanto vale sua honestidade?

Ensaio I : Cegueira por opção

Tudo mentira.
Essa vontade, aquele futuro....
Toda intenção que hesita quando transita em direção a uma ação...outra mentira.
É só parar pra pensar, se olhar atento cada ato, verá uma nova atuação, que se atualiza a cada lugar e momento, que muda a cada sentimento, sempre baseado na publicidade que altera e cativa através de música e um conjunto de imagens.
A mentira que se torna verdade.
Datas esquecidas, dinheiro gasto, cheiro novo de carro, pilhas de papéis, livros abertos, o que escreve sobre si, a compania destes cigarros amassados, todo esse papo enrolado, o álcool derramado, o desdém forjado, aquele sorriso debochado...
Your tears, your fears...it's all a big lie.
Sonhando em ser mais, omitindo o fato de ser grão. Querendo ir longe, conhecer lugares novos porque não consegue parar de vagar por lugar nenhum, em círculos pela terra de ninguém...
Todo logro em que caímos, os equívocos no que dizemos, a fé que fabricamos, a esperança na qual nos apoiamos, é mero engano onde escolhemos viver.
A ignorância é a zona de conforto.
Precisamos consumir mais um pouco deste nada, mais colorido, novo, mais cheiroso, gostoso...mais agradável assim então, não?Não.
Assim são feitas as próprias cercas destes lindos lixos e o paraíso é aquele belo sonho que vive fora do eixo do real. No fim se torna mais uma grande falácia de algum novo idiota.
Não importa o que ouça, o que se diga, é apenas...
Tudo mentira.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Just in love



Eu andava me fazendo muitas interrogações?
Como uma autêntica leonina, quando não recebia respostas...
Saía por aí cheia de exclamações!
Mas depois de toda tempestade, vem a calmaria com suas reticências...
Como toda fonte que um dia se esgota, as ruas secaram e eu pude perceber o que estava muito difícil de ver.
Talvez o copo ainda estivesse meio cheio e com um sorriso de canto de boca entendi tudo.
O veneno na dose certa poderia ser a cura.
Finalmente pude sentir os raios de sol tocando meu rosto e ofuscando as nuvens que aos poucos iam dissolvendo.
Eu percebi que foi a primeira vista. O céu estava diferente.
Ele era puro e lindo, romântico, colorido, profundo e vivo.
E o céu nada mais tinha a me oferecer. Eu não poderia guardá-lo, não poderia tocá-lo.
Não podia nem morar nele, como desejava... Mas nada disso mudava o fato de que era especificamente aquele céu, que nasceu daquela forma, naquele dia, que me cativou.
Eu estava apaixonada pelo céu e nada mais poderia fazer, a não ser aproveitá-lo até o anoitecer e vê-lo partir.
Me deitei de frente pra ele e resolvi curtir até a última cor se apagar, admirando ele e o que ele me despertava.
Me deleitaria até o último raio e saborearia a sensação de uma paixão que nada poderia me dar, mas que eu ainda queria, só por ter me feito flutuar.
Sem medo, sem hesitar, sem exigir, sem reclamar, sem fingir ou cobrar. É a verdade e ponto.
Percebi que gostava tanto, que me bastava o fato de eu tê-lo visto, dele existir.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Guerra à guerra (sã)

Ontem, me gabava com ela
Como eu era dona de mim
E o quanto é curioso o destino
Pois a louca desvairada
finalmente havia sumido.

Mas o cá-te-espero é sacana
e seus absurdos só cochilam
porém nunca vão pra cama.

Ando por aí no random, mas sempre parece repete
A caneta falha, perco a velocidade do pensamento.
Quando finalmente a encontro
Esqueço sobre o que divagava, perco o momento.

Adianta o troco senhora!
Porque desta vez meu card de nada vale
No escuro e baixo perambulante
Só vai dar pra escrever mais tarde.

Sem me lamentar por pouca miséria
Ciente de que no abafado não dá pra pensar
Espero pela próxima ida ao Ártico
Aí sim eu começo a reclamar...

Banco traseiro, janela alta e exatamente duas horas
Pouco tempo picotado pra resolver
o que farei com a outra que habita em meu ser.

PUTA, FALTA DE SACANAGEM!
por isso a deixo presa e enjaulada
Gritando, me ensurdecendo...
Ensandecida, larga de ser encrenqueira!
Deixe minha paz, desista de meu joelho
Não tenho espaço pra negociar
Não me engano, SEI qual é seu único intento
Só pra medir forças chega pra bagunçar...

Então ata meus olhos e venda meus pulsos
...ou inverta, revertendo tudo.
Porque o bar abre os braços de terça à domingo
Já não ligo pra louca que se denuncia
Perdeu as rédeas, fechei a conta da terapia
E há muito que não há descanso no sétimo dia...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Escarlate

Resolveu se livrar do cadáver no armário. Já fazia tempo que insistia guardá-lo. Estava tão bem escondido que nem o notou. Mas o corpo que ali jazia, já começava a cheirar. Já não podia mais disfarçar, os vizinhos já estavam a notar sua mórbida devoção ao fúnebre, que era alimentada diariamente pelas constantes visitas póstumas que o defunto fazia, ao desaparecer pelas madrugadas. Ludibriando com palavras tão sem sentido quanto ocas, recriando algo que já não existia mais...Algo sobrenatural ainda a rondava, obsediava. Mãos gélidas, as costas arrepiavam. Abraços de sufoco, a morte respirava em seu pescoço. Onipresente da forma mais etérea, ocupava mais espaço que o ar em seus pulmões. Apartamento vazio, janela aberta ondulando as cortinas de linho. Seis garrafas do mais fino vinho. Um fantasma, dois silêncios, três delírios. Mais 30 comprimidos e outro suspiro...Um corpo sem vida, sem calor, que mesmo morto, só fazia doer. Agonizando em busca da misericórdia, deu-se a decisão que lhe pouparia desgostos. Alçou vôo de encontro aquelas luzes que brilhavam vermelhas, pelas coberturas inferiores...





























Sentiu gosto do vento frio no rosto. Sentiu o vácuo penetrando seu ser, subindo sua barriga, implodindo no peito relaxando seus os músculos...e riu de forma salaz...das consequências que não poderiam mais lhe pesar! Pela primeira e última vez, finalmente pôde mergulhar e repousar, com sua leveza peculiar e ambígua, sobre lençol quente e úmido, de sua cor preferida.


sábado, 7 de agosto de 2010

Grande espetáculo






Mais uma compania itinerante chegou à cidade!
Uma antiga arte esquecida
Uma prática politicamente incorreta
Tentando se equilibrar na corda bamba
Difícil anunciar, quem vai ter coragem de falar?
A voz sai por um fio, como um pio
Burburinhos de festa, grandes expectativas
Apenas umas palavras mal|ditas
no segundo errado, num tom mais forte
O suficiente para todo fogo sucumbir
Pro malabarista deixar tudo cair
Abalando a inacreditável frieza do contorcionista
Esfriando o vicioso o calor do palhaço
Assim o ilusionista insiste em ser mágico
Dividir ela em duas é próximo passo
Mal sabe ele que aprender a levitar
não é apenas um truque de escola
Mas guardem o segredo Mister M
Pois coelho fugiu da cartola
E correu atrasado para a toca
O bizarro que vira excentricidade
Serão loucos dias nessa cidade
Venham, venham, respeitável público
O show tem que continuar
A lona está apagada, mas o circo ta armado
Qual será a próxima ilusão?!
Entrarias na jaula deste leão?
Ousarias rir do seu nariz de pintado?
Quando irá começar aquele novo quadro???
Silêncio impera enquanto facas cortam o vento
Ela parece estar inteira, de longe ninguém vê
Cicatrizes e arranhões, um atirador vendado...
Saltimbancos e engolidores de fogo
Globo da morte está montado
Acelerando em círculos e barulho
Suspense, o rufar dos tambores
O acrobata vai saltar, vai voar
O grande público fecha os olhos
Temem vê-lo cair
Mas talvez a rede cumpra seu ofício
A mão do acrobata se estenderá para o alívio
Salvando-o baque que ninguém quer ouvir
E do silêncio dessa longa queda

















...e o show tem que continuar...



















 





VÁLIDO LEMBRAR!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A HOLE

Uma abertura
Uma diferença pequena em um passo entre dois tons musicais
Uma forma, dois ângulos, tão obtuso quanto sutil, dois significados completamente diferentes

O que penso, o que digo, o que acontece, o que me reservam, o que muda, o que...o que?








mecanismo que está sempre ao lado, de um lado, pro outro errado





 e





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 cega por todos os lados, desesperada por todos os cegos, cegando o que a luz não deixa ver










...e é a isso que tudo se resume...poço transbordando umidade, escorrendo ecos
Um buraco, um nada que ocupa tanto espaço, que pode explodir...












Não é nada.

que eu queira
que eu possa
que eu diga



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Virtudes virtuais

Digo o que não falo pra esconder o que já está nu.


Toda comunicação há muito já transcendeu a barreira do falar. Informação chega na velocidade de um toque, na forma de olhar, na linguagem corporal...palavras hoje são apenas mera formalidade, necessidade própria do vício de sempre articular muito, para acabar sem dizer nada.
Ficou o dito pelo não dito.
Mas à partir de hoje não abrirei mais a boca, para não ficar cega pelo despudor que me leva a soltar o que deveria reprimir e a comprimir a vergonha que há de voltar.

Vejo surdos se comunicando de forma entusiasmada, como se por uma "deficiência" aprendessem a usar melhor o físico, a percepção e a expressão. Tão efusivo que chega a contagiar, a me chamar pra descobrir o que não dizem, o que cala em meio aos ruídos e as palavras pela met...
Todos os dias também vejo ouvintes, todos cegos e calados, mesmo que em compania. Tão perdidos dentro de si, enclausurados numa bolha, com fones e um livro.
Alheios, alienados e emparedados entre o medo e o ego, que erguem muros altos e densos, separando este universo do mundo da interação. Interagir mesmo é pegar o celular, é twittar e se mostrar presente pra quem não pode ver, quem não pode tocar.
Essa necessidade vem da distância do outro, do não estar sob um olhar que pode reprovar, do não se deixar julgar. Vício da preguiça em pequenos movimentos, gestos quase imperceptíveis, inexpressivos.
Toda a carga e energia que economizam em movimento, transbordam em palavras secas e pesadas, dispostas de forma sublime para que caiam sobre cabeças desavisadas e desabrigadas da couraça que protege os bem vividos e seus finos filtros.

Nem quem tem boca fala o que quer. Quem não tem face palpável costuma articular muito mais. Malditas ou benditas...virtudes virtuais.

Mas ainda sim tenho que admitir que minha bolha permanece bem à mão, para carregar no tom e levar as letras de quem gosta de falar, o que o bom senso e a conveniência insiste em assim manter.

Hipocrisia é a doença. O remédio é o xarope que faz minha voz surgir (sempre à venda nas melhores esquinas do ramo). O tomo religiosamente, sem ler a bula e com pouca moderação. Isso pode custar muito caro, mas eu não costumo deixar nada barato. Este é o preço que pago.
Para resolver a paranóia do implícito, apenas a terapia grupal e teatral, do segura e empurra, do se deixar cair, das conseqüências de um soltar desamparado, que o chão faz explodir de forma conclusiva e definitiva.

Ainda que sem chão, o importante é ter os fios para se comunicar, para esclarecer de todas as formas possíveis. Para a dúvida solidificar. Quero entender, me/lhe fazer ouvir/ver/sentir. Conectar...
Ainda que subtendido, preciso fechar de vez todos os canais para finalmente abrir um novo sentido.

O bom tom passou longe, será preciso ser muito mais underground para assustar. Irônico vir justo a quem já passeou pelo subterrâneo de um deserto isolado e visitou o silêncio das paredes escuras deste quarto gelado. O mergulho foi em pântanos mais nebulosos que o amanhecer hoje, a perdição era estar só em meio aquela multidão.
Não que isso queira dizer algo, quando na verdade nada é o que quero dizer. Mais do que comunicar o objetivo é soltar cada nó, da garganta aos dedos. É assim que se faz?

Tudo tem seu objetivo, olho em volta e vejo que o único é o de mascarar o próprio egoísmo, almejando o próprio alívio, vomitando o desgosto, simulando o próprio gozo.

Os vejo tentar, mas fica cada vez mais evidente a prepotência de quem se basta e mesmo perdido, precisa ser seguido para um dia se encontrar.

Esta bolha está pequena demais para nela ficar, estourou o limite que me separava dos demais e já não os vejo tão distorcidos e embaçados. Com todo esforço aguço meus sentidos e tento aprender a dizer sem que seja preciso letra alguma escrever.

Você que não me lê, olhe em volta, a música também vibra pra quem toca, pra sentir isso, não será preciso me ver.

Sem lugar comum, não dependeremos apenas de nosso rico vocabulário ou da métrica. Não sei, se realmente não sabe ou se realmente cabe tanto discurso pra quem ainda vive nos limites do próprio umbigo.

Acho que estamos nos comunicando, mesmo que nada tenha sido falado. Silencie a fim de ouvir a razão, para só depois começar a dizer algo.
De vuvuzela já basta a corneta.

Quanto ao resto, nada restou a falar...Concluí que nada foi dito e que lá fora nada se altera. O mundo das idéias é bem aqui e não há nenhum mal que nada saia daí. A voz foi perdida e a ligação restabelecida.

Assim, dia após dia, vamos nos entendo, vivendo aqui, acolá. Sempre repetindo ou contradizendo, já não importa.

A vida nos canta e nós continuamos a mesma dança, de quem gosta menos da lábia e mais do gosto.

Entendido?

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Nitroglicerina

Numa fusão que transcende qualquer teoria física
Numa química que converte nossa energia de ligação em energia cinética
Causando uma onda de choque supersônica
Dá para entender isso? Exatamente...
Visões distintas que sem mais atritos chegam a mesma conclusão
Um gatilho foi apertado e não dá mais para voltar atrás
A entropia cada vez maior toma conta das escolhas, preenche cada aresta em mim, cada espaço entre nós, transbordando silêncios subtendidos e abraços calorosos
Palavras teimam em sair sem nenhum pudor, sentido ou métrica. Acabam se perdendo pelo caminho na longa distância percorrida entre o raciocínio e o olhar, ficam pela met...
Passeando por um lugar bem distante daqui, onde os muros são baixos e os pés descalços não oferecem nenhum risco, retornamos à infância.
O desejo de não voltar da Terra do Nunca, é onipresente em cada minuto, mesmo quando o despertador insiste em gritar.
Para me tirar daqui, será preciso virar tudo que está de ponta cabeça, será preciso deixar cair toda neve do globo e nem que me congelem novamente, esquecerei deste prelúdio de estação, deste início de inverno.
Formigas, façam seus estoques, fiquem reclusas em suas residências e amarradas à própria rotina.
Cigarras, continuem tocando, cantando na boemia, amarradas ao ego, reclusas em suas garrafas vazias.
Quanto a mim, fico feliz de não ser inseto e vou me divertindo assistindo a estas quadrilhas, que estão bem longe de se tornarem um número de dança.
Mudanças de tamanhos, cores, estados, externamente tudo permanece igual, pois descobri que o estado natural de tudo é o caos.
A mudança em mim assusta e extasia, mas nenhum terremoto importa mais, pode sacudir...
Estamos todos prontos, prestes a explodir.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Uma Maria à Rosa

Ela adormeceu casulo para amanhecer borboleta...
Alguém que viveu por bastante tempo, pra me ensinar muito com a simples serenidade na presença e que ainda me ensina pela falta que faz na ausência...
Trançava com delicadeza meus cabelos, com o mesmo cuidado e firmeza com que fazia em cada pedaço de sua vida, amarrando tudo com seu amor e uma tira de pano florida.
Seu sorriso brilhava mais que qualquer dente que poderia existir.Seus olhos, tão profundos quanto um poço, cavado dentro de um oceano de sabedoria.
Matriarca que nasceu num tempo em que a mulher não tinha voz. Mas ela era ouvida sem precisar gritar. Criou tanta cumplicidade, amadureceu destrinchando experiência e disseminando bondade.
Quanto gênio, que fortaleza, uma personalidade construída pela saudade do que ou de quem ficou pelo caminho.  "Eram tantos" - ela dizia - mas ainda sim seguia como podia.
Sempre forte nunca perdeu a sua fé na cura de qualquer mal.
Não descansou, porque na verdade nunca se cansou de agradecer por cada dia, cada gesto, de abençoar cada passo de suas crias.
Não exagerava em beijos, mas era só abraços, que precediam um colo capaz acalentar todas as inquietações do mundo, de nossos corações.
Não era uma maria,  era Maria Rosa, era "nossa mãe, nossa protetora, nossa guia, nossa defensora"...
Morar com ela era flor, festa e muitos "coração com coração é amor", que dizia a cada abraço forte.
A gratidão com que nos olhava a cada gesto de cuidado, era um décimo da gratidão que eu espero ter refletido em meus olhos. Agradeço por todos os dias que pude colocá-la pra dormir, em seus lençóis apertados, como um...
...casulo, que adormeceu,  para amanhecer borboleta...
Um centenário contando suas histórias, nos fazendo caminhar pelas veredas que passou, às vezes tristes, às vezes cômicas, deixou pra trás o corpo que já pesava n'alma...
Voa vó, voa, leva felicidade, mas ainda deixa tanta saudade...

terça-feira, 8 de junho de 2010

Outono, doce nostalgia

"500 days of Sumer" ... Sweet!

Ontem seria comemoração...Beijos, abraços, presentes, mimos, bobagens, amassos e tempo, muito tempo presos dentro de nossos olhos, com poucos olhos para o resto do mundo...o mesmo tempo, que corre depressa com acontecimentos, sentimentos e tudo mais que era eterno e pereceu...
Mas hoje é dia de relembrar os arrepios, de ouvir the smiths e cantar alto, mesmo que não esteja acontecendo agora. Senti, vivi e bebi pequenas doses do elixir pra perceber que ainda é possível, fechar os olhos e novamente me perder dentro de mim, me encontrando em outro alguém.
"And if a ten-ton truck
kills the both of us 
to dye by your side
Well, the pleasure and the privilege is mine
Take me out tonight
Oh take me anywhere
I don't care, I don't care, I don't care..."
É sempre um prazer lembrar, é sempre um prazer esquecer a cautela -cicatriz- porque quando se tem coragem, a sorte é uma questão de tempo, é tentativa e erro. Assim sigo com meu incorrígível romantismo, fruto dos contos que lia antes de dormir.
Pra balancear, o meu lado fogo diz que, pra sempre, é apenas a fração de segundo entre o que eu penso e o que digo, entre o que deixa de ser segredo pra ser do mundo.O mundo por sua vez adora pegar o que é dele e virar de cabeça pra baixo, ainda que tudo se mantenha preso ao chão. Mas já não ligo pro chão onde piso, o importante é minha cabeça que voa longe. Vago entre passados e futuros, com minha saia rodada e farfalhante. Deve ser porque adoro doce, que me leva a ouvir esquilos tocando percussão de coco, que me deixam dançar no meio da avenida, na noite vazia.
Só agradeço, o infinito que pude sentir, só espero, o infinito voltar a mim.
Planejamos passionalmente, viver juntos, um dia após o outro, sem nos importar com o sereno e a gripe, só para que pudéssemos dormir juntos, mesmo que ao relento.
Olhos em chamas, paixão e ódio, dramas dignos de novelas mexicanas, que sempre terminavam em lágrimas enxutas em nosso lençol revirado. As ventanias de nossas portas batidas, a solidão de nossa, sempre breve, distância. Logo depois, mais promessas de "nunca mais", como um disco arranhado...até que em certo momento o vinil se partiu. Como doeu, mais ainda, ver que a outra metade nem percebeu que não tinha conserto. Talvez por isso a mágoa, o ressentimento. Todavia hoje eu preciso dizer, depois de 6 meses, que tive um presente ontem. Tirei o laço e dentro haviam muitos bons momentos. O que senti e aprendi foi eterno, a liberdade do primeiro amor de verdade, a capacidade de tomar as rédeas e surpreender, me antecipando à iniciativa alheia e dividindo de coração aberto uma decisão que era minha.
Nunca esperei que a vida me fosse ensinar a simlesmente desapegar de minha alma, dividindo-a com alguém tão cedo, de corpo inteiro. Hoje decidi o que fazer com o que ainda tenho. A picotei em vários pedaços, de diferentes tamanhos e formatos, para que ela pudesse viajar, ventando pela terra, se perdendo para um dia se encontrar e ser trazida pra mim, em doses homeopáticas, pois toda aquela ansiedade cessou.
Não sinto mais necessidade de ver gente a todo momento. Só as vejo porque gosto e quero. Não preciso mais me manter em movimento pra bicicleta não cair, não tenho mais medo dos pés descalços no chão, pois me vejo no balanço das folhas que caem neste fim de outono e na mudança das nuvens e marés.
Ainda que intensa, percebi que não preciso tanto dos choques e tempestades.
É possível me manter serena, talvez eternamente.
Então, que como tudo que conheço, isso seja eterno enquanto dure.
Definindo desta forma o ontem, o hoje e quem sabe o amanhã.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O que os olhos não vêem...

Perca seus dedos para que seus versos não mais me atordoem, atormentem!
Fure meus olhos para que eu não te reconheça!
Me envelheça como vinho para que a ressaca venha com o alzaimer ou apenas lembre-se do que eu pedi: Uma garrafa de diversão, com um extenso poema dentro, enviada de forma inteligente e diferente ao meu endereço, ao meu berço.
Nada pequeno, nada subtendido, quero algo grande, digno de ser lembrado e tragado num único gole seco. Nos pequenos frascos estão os piores perfumes, não me venha com mediocridade. Não me ofereça apenas um pedaço ou serás devorado por inteiro. Nem se aproxime, não vou lhe dizer meu nome, nem quero saber o seu.
Vá caçar em outro lugar, saia de meus terrenos, saia de mim.
Obsseção, pelo tempo já obsoleta.
A globalização cada vez mais alimenta a insanidade, mas quanto mais insanos ficam os habitantes desta selva, mais sinto fome...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

desCONSTRUINDO o filme DEGUSTAndo a poesia

O cinema é um eterno exercício do olhar, não que seja necessário você achar que tudo que é subjetivo é arte, nem que tudo tem que ser nos padrões plásticos da simetria. Cinema pede um olhar sempre aberto e livre, onde você se permite ser levado por um conjunto de sentidos e sentimentos que lhe são passados por algo que se aproxime e te toque, mesmo sendo algo tão distante da realidade (ou não, afinal algo pode tocar por ser bem próximo).
Não sou crítica de cinema, não sou artista, não sou poeta nem escritora. Acho que o bom da liberdade de expressão é sempre poder contar com a própria forma de interpretar e expressar como você vê o mundo.
Sei que gosto de algo que leve e eleve meus sentidos, de forma que me deixe bem longe de mim por algum tempo, mesmo que mínimo. Algo que me faça abrir novas janelas ou enxergar novos horizontes quando as luzes se acendem, algo que me mude, de forma boa ou ruim, que não me permita sair indiferente.Cinema pra mim é isso entre um mundo de coisas que eu não saberia explicar apenas pela escrita...

Porque toda essa introdução? Pra falar do filme que vi hoje, que pode gerar reações paradoxais.
Então um pequeno resumo das impressões passadas, quem quiser ou puder, assista e depois me diga com que olhos piscou após os créditos.






"Viajo porque preciso, volto porque te amo"
Deve ser porque a poesia é para todos. Se esvai de qualquer um, em qualquer situação. Mas a poesia é para poucos, a superfície é dura e as imagens desfocadas, não penetra qualquer um, nem é facilmente permeável, podendo assim dar em qualquer lugar.
Contraditóriamente belo, estranho aos olhos as lembranças de um coração. Lugar incomum em meio à aleatoriedade que acalma, alivia, distrai do olhar pra dentro, da incapacidade de encarar câmera, "que agonia" "Viajo porque preciso, não volto porque te amo".
Ciclos de estradas que mais parecem círculos de análises e aforismos "sempre iguais" alternando somente nas emoções que vagam entre a vontade de voltar e não ter caminho pra conseguir. Silêncio ensurdecedor, vazio que oprime. Que lugar melhor há para se esconder do que na multidão??
O ridículo distrai, mas de tão ridículo, atrai uma atenção desesperada de quem não tem pra onde se voltar. O bizarro que faz rir, alimenta e sacia a vontade de "uma vida de lazer" insustentável, mesmo que por pouco tempo.
Pé na estrada e uma câmera que muitos se enganam ao pensar que está em primeira pessoa. Quem filma não são os olhos, mas o pensamento que vai longe, o alter ego com quem ele dialoga em suas reflexões, quando o ridículo passa de fora para dentro e deixa de ser cômico para ser trágico. Quando isso acontece, quando ele cansa, tudo vira bobagem e as flores de plástico com gotas de orvalho artificial, representam o quanto é falso o que remói, a negação. Assim sendo falso, não existe. Ninguém precisa lidar ou encarar o que não é real, as flores são distração, escape.  
Vôa na insignificância da pipoca que estoura, do artesanato que relaxa, no sorriso tímido banguela, no mar que não existe.
É tudo repetição da mesma fuga comum, de evitar a dor até chegar no litoral, até que chegue o "final" e se perceba que já não pesa tanto o motivo inicial de sua viagem assim encerrando um percurso e iniciando uma jornada para encontrar uma nova rotina pra conviver consigo mesmo.
Por isso poesia é tudo e qualquer coisa, mesmo que seja nada, pois é a construção do desconjuntado, desconstruído, descontinuado e todos os DES...
Estranho às margens, intrínseco, profundamente tocante. Pensando assim tudo que toca, mesmo que oposto, pode virar algo belo pra quem está disposto a mergulhar em águas profundas.

O filme? Pra mim é pura poesia...







''O cinema é a verdadeira linguagem poética'' Bernardo Bertolucci